O texto se trata de uma crítica ao sistema educacional tradicional, feito com base na experiência de implantação de um método de instrução personalizado no período do final dos anos 60 e início dos anos 70. Quando se trata de ensino tradicional, falamos do método em que o ensino é feito através da transmissão oral de conteúdo, através de exposição e muitas vezes misturada com dinâmicas de grupo ou trabalhos, associadas normalmente a salas de aula e professores. Eles criticam também a possibilidade de improvisação que esse método permite, levantando que devemos buscar métodos mais racionais. Outra crítica do sistema era em relação ao fato de que os alunos, por participarem de um sistema generalista, tendem a avançar quando ainda não estão preparados ou mesmo permanecer na mesma matéria quando já estão prontos para avançar. Em suma, existe uma crítica geral ao fato de que sem métodos racionais, as pessoas ingressam no mercado sem entender profundamente o que se dar por trás de uma tarefa, sem poder contribuir no desenvolvimento da sociedade.
A experiência aconteceu ao longo de quatro semestres letivos, em três disciplinas de Física e três de Matemática em nível universitário e três disciplinas de Física em nível médio A. Inicialmente ela foi proposta pelo professor F.S. Keller do Departamento de Psicologia, ao ministrar Psicologia Experimental e foi retomada pelo professor L. C. Gomes.
Nesse novo método proposto, os alunos tem as matérias divididas em unidades e iam progredindo na matéria de acordo com a compreensão que tem da matéria, só avançando quando sentem-se prontos. Isso era feito individualmente, sem aulas expositivas recorrentemente, onde os alunos tinham momentos em sala de aula apenas para debater suas dúvidas com o monitor e para o fim de estudar os módulos propostos. O monitor era parte de uma equipe de 15 monitores, dois instrutores e um professor (em uma turma de 150 alunos), isso no caso da faculdade (no caso de Ensino Médio, dispensava-se os monitores e instrutores). O aluno era avaliado através de testes de cada unidade, sendo que ele era só era aprovado caso obtivesse nota máxima, podendo refazer o teste quantas vezes fossem necessárias. Além disso o aluno também era avaliado através de um exame final.
Como resultado tivemos em um primeiro semestre em que foi ministrado a disciplina de Física que mostrou um aumento no número de aprovações, melhores resultados e satisfação dos alunos em relação a esse novo estilo de ensino, em uma turma de calouros. No segundo trimestre, em uma turma que era mista de repetentes e pessoas de outros cursos, o desempenho não foi tão bom quanto o esperado e com isso no semestre seguinte o curso foi modificado para que fosse melhorado o desempenho e como resultado, houveram resultados positivos. O 2º semestre de 1970 estava em andamento quando o texto foi escrito.
Em relação ao texto, minha opinião pessoal é de que aprecio o método proposto, porém tenho algumas considerações em relação.
Por exemplo, acho que seria um método que poderia ter grandes falhos caso fosse levado para hoje em dia. Isso porque com as melhores possibilidades que não só a Universidade, mas que o mercado oferece para nos capacitarmos, muitas vezes deixaríamos de priorizar as matérias e com isso não obteríamos sucesso nas mesmas independentemente do método. Em cursos que tem matérias de Física introdutórias, generalizando, porém posso estar errada, não é tão comum estagiar nos primeiros semestres e com isso as pessoas tem a dedicação total ao estudo. Em cursos como Administração em que os alunos tem a possibilidade de estagiar ou se envolver com extensão desde cedo, muitas vezes o estudo teórico é despriorizado e com isso, o gasto nesse tipo de método seria inútil (levando em conta que essa é uma hipótese generalista).
Além disso, outra pergunta muito levantada através do texto foi essa diferença entre calouros e estudantes que já estavam regulares na Unb. Como vimos no texto, o desempenho dos calouros é superior e com isso, podemos levantar uma hipótese baseada no desempenho recorrente de calouros. Calouros apesar de se formarem em escolas de métodos tradicionais em sua grande maioria, tendem a chegar na Universidade se "preparando para o pior". Com isso se dedicam muito mais, por não conhecerem a situação empiricamente. Alunos recorrentes tendem a vir enviesados por outras experiências universitárias e por isso, acredito que não se dediquem. Por isso, acredito que esse método teria difícil aplicação caso não fosse feito em mutirão.
Apesar de todas as considerações que tive, acredito que esse método é interessante e deveria ser proposto de maneira personalizada para cada situação, pelo menos adotado em algum sentido porque poderia trazer novas perspectivas para um ensino em que vale a lei em que o mais forte sobrevive e o mais fraco não tem nem a oportunidade de tentar.
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