Nos anos 70, David Rosenham resolveu realizar um experimento desafiando a capacidade dos psiquiatras de determinar um diagnóstico e ao mesmo a capacidade dos mesmos em determinar a capacidade social de seus pacientes.
Para esse experimento Rosenham convidou oito colegas, desde colegas de profissão a uma dona de casa, para fingissem apenas um sintoma ("Estou ouvindo uma voz está dizendo 'tum'") e testassem a capacidade de diagnóstico de profissionais de diferentes instituições em diferentes cantos dos Estados Unidos. O sintoma foi escolhido partindo do princípio que o mesmo não constava da literatura e deveria ser seguido de uma total falta de ocorrimento, com uma volta à normalidade do paciente alegando que a voz havia aparecido e respondendo com clareza às perguntas feitas na enfermaria.
Como resultado, todos foram internados por períodos diferentes apesar da não ocorrência de nenhum outro sintoma. Presenciaram diversas cenas de mau tratamentos de outros pacientes, presenciaram pacientes que percebiam a normalidade neles, presenciaram pacientes que como eles jogavam fora seus remédios e ao final do período foram liberados sem nenhum outro sintoma aparentemente, sem nenhuma justificativa que corrobasse aquela internação.
O texto causou uma certa comoção na área de psiquiatria por criticar a categorização na área, não pelos sintomas do paciente, mas pelo contexto, sendo também apoiado por estudos como os testes realizados por Rosenthal e Jacobson e o experimento de Hans, o cavalo matemático. Robert Spitzer, psiquiatra famoso da época, criticou o estudo de Rosenham pela pouca de quantidade de dados acerca do estudo (como por exemplo o nome dos hospitais) ou como os pseudopacientes de fato se comportavam assim que entravam no hospital.
Podemos ver um caso similar a esse sendo retratado no filme Um Estranho no Ninho de Milos Forman em que um detento simula ser insano para não trabalhar e acaba indo parar em uma clínica. O rumo acaba sendo um pouco diferente quando o detento estimula os outros pacientes a se revoltarem contra as normas da enfermeira chefe e acaba tendo pagar consequências por isso. Comparando com o caso estudado vemos uma denúncia às práticas e uma relutância da classe em aceitar tais críticas, por não darem crédito aos pacientes ali internados, enxergarem-os como páreas da sociedade.
Ao meu ver, são críticas muito válidas as feitas pelo filme e pelo texto, apesar de não enxergarem ela valendo da mesma maneira hoje em dia (apesar de não conhecer muito, prefiro acreditar que os tratamentos sejam mais humanizados). Além disso, achei que faltaram alguns dados mais técnicos para que comprovasse um pouco melhor os resultados e a eficácia do estudo de fato. No entanto, acredito que ele aborda questões importantes que devem ser pensadas por todo profissional em formação: qual é o principal objetivo de fazermos esse trabalho? A meu ver, deveriam ser as pessoas.
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